ANNA COSTA E SILVA

MINIBIO

Anna Costa e Silva nasceu em 1988 no Rio de Janeiro, onde vive.

É artista visual e diretora. Seu trabalho acontece nas interseções entre artes visuais, cinema, performance e práticas relacionais.

Trabalha a partir de situações construídas entre pessoas, que propõem reformulações dos tecidos sociais e afetivos tendo o encontro como principal matéria. Passa seus dias num híbrido de arte-vida, dormindo na casa de pessoas desconhecidas e conversando antes de dormir, oferecendo companhia, pensando sobre possibilidades de estar em lugares de consumo e não consumir e perguntando como as pessoas existem. Seus projetos acontecem em algum campo sem nome, nas interseções entre artes visuais e cênicas, cinema e práticas relacionais.

Mestre em Artes Visuais pela SVA, NY, recebeu prêmios como FOCO Bradesco ArtRio, Bolsa Funarte de Produção Artística e American Austrian Foundation Prize for Fine Arts.

Entre 2014 e 2018, realizou 10 exposições individuais, entre elas “Assíntotas” na Caixa Cultural, “Ofereço Companhia” na Galeria Superfície, “Púrpura” uma experiência móvel pela cidade do Rio de Janeiro e “Éter” no Centro Cultural São Paulo, selecionado para a Mostra de Exposições. Participou de exposições coletivas como “Unânime Noite” no Contemporary Art Center, Vilnius, curadoria de Bernardo de Souza, “Art In Odd Places”, NY, curadoria de Nicolás Estevez Rocio Aranda-Alvarado e Jody Wainberg, “O que vem com a aurora” na Casa Triângulo, SP, “Encruzilhada” no Parque Lage, curadoria de Bernardo Mosqueira e “Abre Alas” na A Gentil Carioca. Foi artista residente no Phosphorus, SP, na School of Making Thinking, NY e na Salzburg Academy, Austria.

Tem trabalhos em coleções públicas e particulares, entre elas o Museu de Arte do Rio. Começou sua trajetória dirigindo curtas metragens premiados, exibidos em 40 festivais pelo mundo e trabalhou como assistente de direção para diretores como Cacá Diegues, Jorge Durán e Marcos Prado. Dirigiu as séries documentais “Olhar” para o Canal Arte1 e “Os Ímpares” para o Canal Curta!.
annacostaesilva.com

PROPOSIÇÕES

Residência na Secretaria Municipal de Cultura

CHEGANÇA E BRECHAS AFETIVAS

A terceira edição da RASP propõe, pela primeira vez, a atuação paralela de dois artistas dentro da mesma instituição pública. Anna Costa e Silva e RafaÉis trabalham desde o fim de 2021 na Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, com propostas individuais e coletivas.

Buscando se aproximar e estabelecer laços com as/os profissionais da SMC, Anna e RafaÉis desenvolveram, cada um a sua maneira, proposições artísticas de construção de proximidade. Sobre a sua aproximação inicial com a Secretaria e os/as/es servidores, Anna comenta:

Gostaria de estabelecer um contato mais íntimo e menos formal, despido de um certo verniz social, e buscando, justamente, ir pra outros lugares e registros, que não o da jornada de trabalho, das entregas, da produtividade – algo como uma brecha, um desejo de parar o tempo, de poder olhar e escutar o outro, e deixar-se guiar por perguntas. Gosto de pensar no encontro como um estado, algo que só é possível entre dois, e que tem a ver com atenção, abertura e presença.

As primeiras ações da artista consistiram em encontros ativados a partir de objetos, proporcionando a criação do que ela chama de “Brechas Afetivas”:

Como início do processo de trabalho na RASP, criei um dispositivo de encontros-escutas um a um com os servidores da SMC, as brechas afetivas, que acontecem no meio da jornada de trabalho. Nesses encontros, convido cada servidora/o a trazer um objeto que fosse importante em sua trajetória de vida, e me contar a história desses objetos. Cada participante deve, também, escolher o local onde o encontro acontece, me levando por uma deriva entre espaços na SMC que pudessem ter alguma memória ou importância afetiva. Os encontros aconteciam a partir de uma convocatória aberta, “Chamada aberta para brechas afetivas”, escrita à mão, e deixada nos espaços da SMC.”

Nesses encontros, é aberto um campo de escuta e de suspensão do tempo, no qual trocas muito íntimas e surpreendentes acontecem, interrompendo os ritmos, códigos e acordos do cotidiano de trabalho. O objeto era como um portal de entrada para histórias de vida, relações, traumas, superações, alegrias, formas de olhar o mundo, que escapavam da “ordem do dia” de um dia-a-dia producente.”

Os objetos trazidos pelos servidores passaram a ser guardados pela artista em uma vitrine, compondo um acervo que nomeou como “Pequeno Museu de Afetos”.

O momento inicial de convivência com as/os servidoras/es e o espaço da Secretaria também resulta no SECRIA, projeto coletivo desenvolvido pelos artistas residentes junto aos funcionários. Mais informações sobre essa proposta podem ser acessadas aqui.

CARTAS (em desenvolvimento)
Entre o segundo e terceiro trimestre da residência, a artista dá continuidade ao seu trabalho tomando agora as cartas como suporte. O processo, ainda em desenvolvimento, é comentado abaixo pela artista:
Além do trabalho no SECRIA e no Sarau, durante esses três meses, também segui para a 2a fase do trabalho das Brechas Afetivas, que consistia em pedir a cada pessoa participante uma provocação escrita em forma de carta, a partir da nossa experiência de encontro – algumas dessas cartas eram para si mesmas no passado ou no futuro, outras para outras pessoas, outras para o objeto em si, ou até para uma palavra ou um conceito. Eu, por minha vez, escrevia uma mensagem para cada pessoa, como uma resposta para as mensagens que recebia. Essas mensagens foram sendo entregues conforme eu recebia as provocações, em pequenas garrafinhas, que comprei no centro da cidade. As garrafinhas eram deixadas, silenciosamente, em cima das mesas de trabalho, produzindo, enquanto objetos no espaço, também uma experiência de brecha ou escape.