SECRIA

SECRIA

O SECRIA (Setor de Criações Artísticas) é um projeto de Rafa Éis e Anna Costa e Silva para a RASP com a Secretaria Municipal de Cultura, e consiste na criação de um setor dentro do espaço físico da SMC no CASS.

O projeto surgiu através da experiência dos artistas com o ambiente e com profissionais da cultura nos primeiros meses de residência e se desenvolverá com ações artísticas colaborativas ao longo do ano de 2022.

Com o SECRIA buscamos contemplar e fortalecer as propostas artísticas dos artistas em residência e do grupo de pessoas que trabalham na Secretaria de Cultura.

A CONSTRUÇÃO DO PROJETO

Durante os primeiros meses de residência, Anna Costa e Silva e RafaÉis observaram nos encontros com servidoras/es que grande parte delas/deles têm vínculos com a criação artística. Segundo Anna:

Algo que chamou muito a nossa atenção foi o fato de que muitas das pessoas que trabalham na SMC são, também, artistas, e tiveram que deixar de lado suas atuações como poetas, atores, atrizes, diretoras/os, artistas visuais, compositoras/os para exercer o cargo, ou atuar numa jornada dupla, em que ambas experiências não se encontravam. A sensação era como se houvesse uma fragmentação entre a prática artística a e atuação no setor público. O encontro de “brecha afetiva” com Marcus Galina, no início do ano, foi muito importante nesse sentido. Marcus falou de um desejo antigo que tinha, a criação de um sarau com as servidoras e servidores da SMC, e me contou sobre alguns outros artistas no time, que eu ainda não conhecia.

Mobilizados por essas conversas, Anna e Rafa junto de profissionais da SMC passam a articular a criação de um espaço dentro da Secretaria que promovesse a criação e compartilhamento artísticos. Como Anna observa:

Alguns dias depois, estive com Sinara Rúbia e Michelle, que me contaram sobre suas atuações como contadora de histórias e como bibliotecária, respectivamente, e o desejo de criação de uma biblioteca na SMC, que existiu no passado. Me dei conta, ali, que a atuação na RASP era além de uma proposição minha, como artista, relacionada à minha prática, mas sobre contribuir para a construção de um espaço que já existe, e me ver como um instrumento de transformações possíveis ali dentro, que envolviam, também, deixar um legado, que iria existir para além do tempo da residência.

Traçamos, então, um plano que incluiria Sinara, Michelle, Marcus, Giselle Nery, e, em seguida, Vera Saboya, Elizeu Banori e Alice Ribeiro se juntariam. O SECRIA seria um espaço físico para criações artísticas dentro da Secretaria de Cultura. O nome foi sugerido pelo Rafa, e havia um desejo de brincar com a ideia de “Setor”, apropriando-se da linguagem das divisões de trabalho da SMC, assim como a ideia de criação/ invenção de si. Entendíamos a necessidade de criar um espaço físico para que atividades como oficinas, leituras, cineclubes, criações coletivas e trocas de ideias acontecessem.

O SECRIA surge de uma das muitas conversas que eu e Rafa tivemos ao longo do nosso processo de trabalho, compartilhando nossas alegrias e angústias, e observando como os Desenhos de Chegança e as Brechas Afetivas se encontravam, nesse mesmo desejo de escuta e de afeto, de conhecer melhor as pessoas que trabalham na SMC para além das funções que exercem. Essa troca com o Rafa tem sido muito importante.
Definimos que o SECRIA teria uma abertura com um Sarau, em que todas as pessoas que trabalhavam na SMC seriam convocadas, e quem quisesse poderia se apresentar.

SARAU SECRIA

Um sarau foi organizado para celebrar a inauguração do Setor de Criações Artísticas. O evento teve como principal objetivo contemplar e fortalecer as propostas artísticas dos artistas em residência e do grupo de pessoas que trabalham na Secretaria de Cultura.

Programação do primeiro sarau, realizado dia 13 de Maio de 2022:

José Alsanne (Filme Trajetos)
Nina Vilardi (Pocket stand up)
Marcus Galiña (logos Galináceos)
Vera Saboya (Leitura – Memória)
Sinara Rúbia (Contação de histórias negras)
Anna Costa e Silva (Leitura – Museus dos objetos afetivos)
Eliseu Banori (Poesia)
Barbara Reis (Leitura – prosa)
WG (Leitura – poesia)
Agaadinhos (Dança Tiktok)
Edson Gama

Intervenções contínuas:

Rafa Éis (Desenhos de chegança/retratos)
Anna Costa e Silva (Museu dos afetos)
Gui Espíndola (Fotografias/ slideshow)
Ellen Rose (Desenhos ao vivo)

O Sarau marca um momento de partilha coletiva do fazer artístico desenvolvido até agora durante a terceira edição da RASP, as propostas, anteriormente dirigidas pelos artistas residentes, passam também a ser lançadas pelos servidores, que atuam no espaço do SECRIA enquanto artistas propositores, em horizontalidade com Anna e Rafa.

Nas palavras de Anna Costa e Silva, o Sarau celebra a instauração de uma atmosfera de troca e escuta:

O dia de abertura e Sarau foi muito emocionante. Foi realmente gratificante ver a sala pronta e tudo aquilo que passamos meses projetando e pensando, ali, existindo no mundo. Fiquei muito tocada com as performances e apresentações do sarau e foi muito bonito ver aquele espaço vivo, com tantas expressões artísticas potentes, e a atmosfera de troca e escuta que se estabelecia a partir das apresentações. Acho que as pessoas puderam se conhecer e trocar num outro lugar. Terminamos a noite com o sentimento de missão cumprida e, para mim, o mais forte que fica, é essa sensação de organismo, e de ser apenas um dos instrumentos de uma sinfonia maior, até, do que eu mesma projetei quando comecei a residência. Ali, ficou bastante claro o processo de polinização que acontece na RASP.

Anna apresentou no Sarau o Museu de Objetos Afetivos: “quando vemos os objetos juntos, essa série de experiências extremamente íntimas e na escala do um pra um, ganha uma dimensão coletiva.”

O Sarau está sendo realizado mensalmente em parceria com as/os servidores, que inscrevem apresentações para compor a programação. Estamos atualmente na terceira edição do evento.

Programação do segundo sarau, realizado dia 15 de Junho de 2022:

Edson (música/voz e violão)
WG (leitura de poesia)
Barbara Reis (prosa)
Melro Valente (poesia)
Eliseu Baroni (poesia)
Gisele Nery (poesia)

Intervenções contínuas:

Declamação surpresa ao longo do encontro (participação aberta)
Desenhos de chegança (Mostra de Rafa Éis)
Museu dos afetos (Mostra de Anna Costa e Silva)

 

Programação do terceiro sarau, realizado dia 15 de Julho de 2022:

O terceiro Sarau teve a sua programação montada de forma espontânea a partir de participações abertas, e contou com leitura de poesias, música ao vivo, a proposição relacional através da escrita, chamada Farmácia Literária, além das intervenções contínuas Desenhos de chegança (Mostra de Rafa Éis) e Museu dos afetos (Mostra de Anna Costa e Silva).

Garimpando palavras, criando imagens: Experiência de criação em escrita e desenho, realizado dia 05 de agosto de 2022:

Oficina introdutória a passar pela criação da escrita e do desenho. Fruto da parceria Sala de Leitura Maria Firmina dos Reis e do SECRIA, a atividade tem participação aberta para funcionários e funcionárias da SMC.

Cineclube:

Os cineclubes acontecem quinzenalmente intercalados com a realização dos sarais. A proposta é exibir curta-metragens de servidores ou pessoas próximas que possibilitem um debate após a exibição.

 

Formas de Respirar
Uma ação-programa entre práticas artísticas e práticas de cuidado
por Rafa Éis e Thaís Ayomide

Formas de respirar é uma ação que vincula roda de conversa, práticas de cuidado em saúde mental e práticas de arte. Criada por Rafa Éis e Thaís Ayomide, Formas de respirar contou com a colaboração de Anna Costa e Silva e Diego Soares e a participação de diversos profissionais da SMC-Rio. A ação foi realizada como trabalho final do período de residência artística de Rafa Éis na Secretaria Municipal de Cultura da cidade do Rio de Janeiro por meio da Residência Artística Setor Público (RASP) e partiu do seguinte programa:

  • DIA 07/10 Respirar uma conversa aberta
    Encontro envolvendo exercícios de respiração e conversa aberta em torno de saúde mental.
  • DIA 21/10 Estratégias para respirar melhor
    Conversa com Diego Soares (psicólogo, escritor e artista visual)
  • DIA 28/10 Asfixia: a materialização da angústia Práticas integradas de corpo, desenho, escrita e relação que visam criar um espaço acolhedor para a olharmos nossas angústias e criar contornos para as sensações de asfixia.
  • DIA 04/11 Oxigênio: a materialização da respiração Encontro de criação de imagens através de um ensaio fotográfico onde os participantes performam práticas poéticas de respirar.

O programa partiu do encontro das experiência e das trocas com seus participantes e direcionou o olhar para a pandemia psicológica que se instaura e se dissipa desde a chegada da COVID-19, em meio às políticas de asfixia generalizada no mundo e no Brasil – seja pela falta planejada de cilindros de oxigênio, pela fumaça das queimadas, pelas crises de pânico e ansiedade, pelas transformações nas relações de trabalho e nos modos de sociabilidade ou pela brutalidade policial.

Como um espaço possível de respiração e acolhimento, esse conjunto de gestos se propôs como um dispositivo de escuta, mapeando nossos respiros e asfixias cotidianas, partilhando repertório para cuidar de nossa saúde mental e criando imagens e registrando palavras buscando uma forma para dar conta da experiência ainda talvez pouco nítida nos enfrentamentos recentes. E claro, olhar com cuidado, sentir nossas distintas e comuns formas de respirar.